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Testamos a Ténéré 250 pelas ruas de Natal

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O Brasil é um dos poucos países do mundo a contar com a linha completa da Yamaha Ténéré, além das mundiais XT 660Z Ténéré e XT 1200Z Super Ténéré nós também contamos com a menor, mas não menos invocada, XTZ 250 Ténéré. A caçula da família, lançada por aqui em 2010, trás consigo a fama do nome Ténéré, que remete a motos aventureiras e robustas, inspiradas nas motos de Rally. Tivemos a oportunidade de testar uma unidade da sua versão 2012 pelas ruas de Natal e avaliar se essa pequena honra o nome que carrega.

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Apesar de compartilhar do mesmo motor e chassi da Lander, podemos dizer que as semelhanças param por aí, a “Tenerezinha” é uma nova moto e em quase nada lembra sua coirmã. No primeiro contato com a moto nos agradou de cara o design, a frente é simplesmente impactante, o grande tanque de combustível, harmonizado com a carenagem que envolve o duplo farol e a pequena bolha para-brisa, transmitem a sensação de estarmos diante de uma moto de maior cilindrada. Aliás, o design da sua dianteira lembra muito o da Super Ténéré 1200. O ponto negativo fica por conta da traseira, não há como não pensar que falta algo ali. A Yamaha deveria ter tido mais cuidado nesse ponto e pelo menos ter colocado um bagageiro integrado, como na Honda XRE por exemplo. O acabamento é de alto nível, encaixes das peças plásticas, materiais utilizados, tudo de primeira.

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Passada a perna é hora de experimentar a posição de pilotagem. O banco em dois níveis é largo e confortável e, diferente da Lander, tem uma densidade correta na espuma, nem muito dura, nem muito mole. O encaixe das pernas no tanque é natural e a posição do guidão deixa os braços relaxados. A ressalva fica por conta das pedaleiras que poderiam vir com uma borracha removível, muito útil para evitar o desgaste dos calçados usados no dia-a-dia.

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Nosso teste começou na Praia do Meio, de onde partimos rumo à Rota do Sol. No trajeto urbano pudemos constatar a ótima ciclística, apesar de ser volumosa e aparentar ser uma moto pesada e lenta, a Ténéré surpreendeu justamente pela leveza e agilidade. O guidão alto passa por cima dos retrovisores dos carros e facilita a passagem pelos corredores. O motor OHC, monocilíndrico, refrigerado a Ar, com radiador de óleo, é bem disposto e emite o característico ruído já conhecido de todos, amado por uns e odiado por outros (sejamos razoáveis, mal dá pra escutar com a moto em movimento). Apesar da marca declarar “apenas” 21 cv a 8.000 rpm de potência e 2,1 kgfm a 6.500 rpm de torque, o desempenho é satisfatório e ela não fica devendo nada a motos que declaram potência e torque mais elevados. Uma característica deste motor é a aspereza nas rotações mais baixas que somem após os 5.000 giros. Nas curvas ela se saiu muito bem, demonstrando boa estabilidade e ótima aderência dos pneus Pirelli Scorpion (80/90-21” na dianteira e 120/80-18” na traseira).

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Passando pela Via Costeira pudemos verificar o quanto é eficiente a pequena bolha para-brisa, basta apenas abaixar um pouco a cabeça para sentir a ventania passar por cima do capacete, algo muito útil para viagens. Suas suspensões tiveram o curso um pouco reduzido em relação à Lander e ficaram mais firmes, mesmo assim absorvem com maestria as imperfeições cada vez mais evidentes das nossas pistas esburacadas. Na Rota do Sol mantivemos a velocidade máxima da pista, 80 km/h, sem maiores esforços, mesmo com o forte vento contra, e verificamos que a Ténéré é capaz de manter uma velocidade de cruzeiro em torno dos 120 km/h sem prejudicar a economia. Aliás, a economia é o forte dessa moto, no nosso percurso de teste ela alcançou a marca de 30 km/l, lembrando que a unidade testada tinha apenas 50 km rodados, ou seja, depois de amaciada deverá ser ainda mais econômica. Com capacidade para 16 litros de combustível no tanque ela tem uma autonomia aproximada de 480 km, ótimo para quem pretende pegar a estrada. Ela pode sim ser utilizada para viagens de curta ou média distância sem problemas, o garupa tem conforto de sobra e segurança com as alças laterais bem posicionadas.

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O câmbio de cinco marchas é um pouco duro e impreciso, principalmente na mudança da 1ª para a 2ª marcha, característica marcante em todas as motos da marca. Os freios, grande problema da Lander, foram melhorados e o problema de ficarem borrachudos quando aquecidos foi solucionado, a Fábrica instalou flexíveis revestidos com uma malha de cobre que impede a dilatação da borracha e a consequente perda de desempenho. Mesmo assim ainda deixam um pouco a desejar, principalmente o traseiro.

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Vimos que a Ténéré 250 é ótima para a cidade e boa para viagens, mas e para o uso Off-road, ela serve? Na verdade seu conjunto de motor, chassi e suspensões permite incursões no fora de estrada, mas o excesso de carenagens, o para-lama dianteiro rente ao pneu e a posição de pilotagem mais voltada para o uso On-road sugerem que ela deve ser usada com moderação em pisos mais acidentados. Ela segue a risca a receita das Maxi-trails como a sua coirmã Super Ténéré, a Honda Crosstourer e a BMW R 1200 GS, são capazes de passar por qualquer tipo de terreno, mas seu habitat preferido são as estradas.

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Conclusão

A XTZ 250 Ténéré é uma moto encantadora, bem acertada, com desempenho satisfatório e ótima economia. Ideal para o uso urbano e para pequenas viagens, ela se destaca pelo visual imponente e pela qualidade geral do projeto. O seu nome atrai admiradores a várias gerações e é conhecido no mundo inteiro, para quem é fã do estilo “Adventure” ela é um excelente degrau rumo as gigantes do deserto.

 

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