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Testamos a Suzuki GSX-R 750, a lendária SRAD

Como bom filho de motociclista, sou apaixonado por motos desde que me entendo por gente. Durante minha curta trajetória até então, alguns modelos povoaram os meus sonhos, como as inesquecíveis Kawasaki Ninja ZX-11 e ZX-9R, as saudosas Honda CBX 750 Four e CBR 1100 XX Superblackbird ou as brutais Yamaha Super Ténéré 750 e V-Max 1200.

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Deu para perceber que eu tive uma quedinha pelas motos japonesas, mas isso é natural já que ver uma moto Europeia por aqui na época da minha adolescência era impossível. Das grandes nipônicas faltou falar da Suzuki e eu não a deixei por último por acaso. Nos anos 90 uma “pequena notável” com 750 cm³ assombrava as grandes esportivas de 900 cm³ ou mais e atendia pelo nome de SRAD.

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Foi exatamente uma Suzuki GSX-R 750 a primeira moto esportiva que pilotei. Um amigo me emprestou para dar uma voltinha e eu me senti pilotando uma nave espacial, todos olhavam para mim e o coração queria sair pela boca, foi uma experiência inesquecível. Hoje, após ter experimentado todo tipo de moto, tive a oportunidade de reencontrar uma SRAD, numa versão bem mais moderna que aquele modelo 1998.

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O engraçado é que desta vez, a moto também foi emprestada por um amigo para o teste, já que não temos mais concessionária Suzuki em Natal, e mesmo que tivesse, a precária administração do grupo J. Toledo (responsável pela Suzuki no Brasil) não libera motos para testes, nem mesmo para as revistas mais tradicionais.

Cara a cara com a fera, não pude deixar de lembrar da sua versão 2008, naquele ano os desenhistas da casa de Hamamatsu estavam inspirados e fizeram a SRAD 750 mais bonita de todos os tempos na minha humilde opinião. O modelo atual também é muito bonito e possui linhas modernas. Gostei muito do desenho da traseira com uma rabeta bastante agressiva  e piscas embutidos. A dianteira é o ponto fraco do seu design, com um farol meio cabisbaixo ela não tem mais aquela cara de malvada das versões anteriores. De uma forma geral o visual agrada e ela conserva as dimensões compactas e um bom nível de acabamento.

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A posição de pilotagem vem sendo suavizada com o passar dos anos, tornando as esportivas um pouco mais usuais para o dia a dia, mas a SRAD continua com banco elevado, pedaleiras altas e recuadas e semi guidões baixos. Seu entre-eixos curto (1.390mm) deixa pilotos mais altos como eu com a sensação de estar literalmente em cima da roda dianteira, já tentar “carenar” sem encostar o capacete na bolha foi uma missão quase impossível para mim. Para pilotos como Diogo “Ogro”, que tem 1,71 m, ela cai como uma luva permitindo boa proteção aerodinâmica e total sensação de controle, pois o tanque (17 litros) é largo, mas o encaixe com as pernas é perfeito e o banco permite boa mobilidade.

Essa posição agressiva é ótima para a proposta esportiva da GSX-R, porém no trânsito ou em viagens mais longas ela torna-se cansativa. Entre Natal/RN e João Pessoa/PB (distância de 200 km), a BR-101 está duplicada e em ótimas condições, mesmo assim tive que parar três vezes para esticar as pernas.

O motor é explosivo e entrega de forma brutal os 150 cv no modo “A” do mapeamento da injeção. Existe também o modo “B” que limita a potência e deixa a tocada mais segura, algo muito útil na chuva. Trata-se de um tetracilíndrico em linha, DOHC, refrigerado a líquido com 16 válvulas de titânio e o famoso SRAD que virou apelido da GSX-R e nada mais é que um sistema de admissão forçada de ar, como se fosse um turbo natural.

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A 750 é uma moto divertida até demais, muito leve (190 kg cheia) e ágil, ela se vale do excelente chassi dupla trave de alumínio para contornar as curvas com precisão e estabilidade. O câmbio de seis marchas é um pouco duro, mas os engates são precisos e o escalonamento perfeito, com 1ª e 5ª marchas um pouco mais longas que as demais.

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As arrancadas são contundentes e a roda dianteira teima em sair do chão se o acelerador não for dosado adequadamente. Claro que não chegamos ao limite da SRAD, mas ela demonstrou fôlego para rodar com facilidade em velocidades superiores a 220 km/h. Nas reduzidas para ultrapassagens o berro que sai pela ponteira de escape é sensacional, apesar de original de fábrica, ela ronca como uma ponteira esportiva, só que um pouco mais baixo. O torque máximo aparece em alto giro (8,80 kgf.m a 11.200 rpm) e é o grande diferencial dela em relação aos modelos de 600 cm³, pois o motor está sempre cheio, sem buracos na aceleração, permitindo ótimas retomadas.

Com disco duplo flutuante e pinças radiais Brembo na dianteira e disco simples na traseira ela é bem segura nas frenagens, o menor toque no manete da direita já faz o piloto ficar ligado. Sua excelente ciclística também é fruto das suspensões (invertida na dianteira e monoamortecida com link na traseira, ambas multi reguláveis) que são firmes e muito bem calibradas.

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Enfim, a GSX-R 750 é uma moto espetacular e entrega muito para o que custa (R$ 50 mil em São Paulo), proporcionando desempenho superior às 600 cmª e muito próximo das 1000 cmª. Uma ótima opção de compra entre as superesportivas, peca apenas por não disponibilizar uma versão com freios ABS.

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