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Testamos a lendária BMW R 1200 GS

Existem tantas marcas e modelos espalhados pelo mundo, que uma moto tem que ser realmente muito boa para entrar no estreito hall das lendas sobre duas rodas. No universo das maxitrail, a BMW R 1200 GS, sem dúvidas, está no topo com relação à tradição e fama. Tivemos o imenso prazer de testá-la em solo potiguar para conferir se ela merece mesmo essa ótima reputação.

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Seu design é inconfundível e evoluiu sem perder as formas marcantes que acompanham-na desde a primeira versão. O tanque volumoso, o motor boxer e o famoso para-lama estilo “bico de pato” deixam claro se tratar de uma legítima GS.

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Ao olhar para ela não há como não sentir vontade de montar imediatamente e partir para uma volta ao mundo. Suas linhas transmitem agressividade e um espírito aventureiro. O acabamento é primoroso, típico dos alemães. Guidão, assento, plásticos, as belas rodas raiadas, farol e piscas de LED, as soldas perfeitas do chassi de treliça, tudo é muito bem feito. A ponteira de escape, agora do lado direito, também é linda e bem acabada. Enfim, tudo nela é “top”.

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Com uma máquina dessas à disposição para rodar quilômetros e mais quilômetros, não perdi muito tempo. Como sempre, comecei a avaliação pelo trânsito, especificamente pelas ruas de Capim Macio e pela Avenida Engenheiro Roberto Freire. Liguei o poderoso motor bicilíndrico boxer e já tive a primeira surpresa, ele não vibra quase nada e a estória de que o movimento contraposto dos pistões causa um certo desequilíbrio não passa de conversa pra boi dormir.

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Apesar do guidão bastante largo e dos quase 240 kg com tanque cheio, a GS me deixou estupefato mesmo no uso urbano. A sensação visual de moto grande e pesada cai por terra já nos primeiros metros. É impressionante como ela é ágil e fácil de pilotar.

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Sua largura atrapalha muito na hora enfrentar o corredor e o calor do motor causa certo incômodo após muito tempo parado, mesmo sendo refrigerado a líquido. Além disso achei a embreagem hidráulica um pouco pesada e o câmbio um pouco duro.

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O tempo parado nos sinais me permitiram olhar bem o painel, que mais parece o cockpit de um avião, tamanha a quantidade de informações. Além dos tradicionais marcadores analógicos de velocidade e rotação, existe um grande display digital que informa a quantidade de combustível, modo de gerenciamento do motor (5 opções), setup das suspensões (ESA), consumo instantâneo e indicador de marcha.

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Rodar com ela na cidade foi uma experiência única. A sensação de estar sendo observado por todos é inusitada, não há como passar despercebido com essa moto. Mal sabia eu que a diversão de verdade ainda estava por vir.

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Quando os grandes cabeçotes horizontais já estavam quase “fritando” minhas canelas, finalmente, um pouco de pista livre. Com apenas o vento à minha frente, comecei a explorar melhor a maior qualidade dessa máquina, o motor. Imagine a sensação de estar pilotando um trator de esteira, foi mais ou menos o que eu senti ao enrolar com força a manopla do lado direito.

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A R 1200 GS tem uma aceleração brutal, próxima a de muitas superesportivas que já pilotei, em um piscar de olhos o velocímetro já belisca sua faixa final. O grande torque (12,7 kgf.m a 6.500 rpm) em conjunto com a robusta transmissão por cardã possibilita rodar a maior parte da viagem apenas utilizando a 6ª marcha, o que é imprescindível para quem pretende realizar longas jornadas.

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125 cv podem até não parecer tanta potência assim quando lembramos que já existem motos hoje com mais de 200 cv, mas não se engane, a GS anda muito e passa fácil dos 200 km/h. A proteção aerodinâmica é excelente e permite pilotar tranquilamente acima dos 150 km/h sem ter que se abaixar. O grande para-brisa regulável em altura faz o vento passar por cima do capacete, mesmo comigo que tenho 1,90 m de altura.

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O que mais me impressionou nesse propulsor foi a capacidade de retomada e de freio motor que ele possui. Em sexta marcha, a 6.000 rpm, a velocidade gira em torno de 180 km/h, algo que ela mantém sem maiores esforços. Por repetidas vezes soltei o acelerador e notei que a velocidade cai rapidamente para a casa dos 80 km/h. Em seguida eu acelerava novamente sem trocar de marcha e ela, tão rapidamente quanto, voltava para os 180 km/h.

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Nas curvas mais surpresas positivas. Selecionei o modo “Road” de ajuste das suspensões e de mapeamento da injeção. Nessa configuração a GS faz curvas como uma superbike. A aderência é incrível,  graças em parte aos ótimos pneus Metzeler Next, mas principalmente graças às espetaculares suspensões Telelever na dianteira e Paralever na traseira. Elas copiam tudo e mesmo buracos dentro das curvas são absorvidos sem que o conjunto balance.

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Essa BMW passa tanta segurança que chega a assustar. Os freios são muito eficientes, com dois discos de 305 mm e pinças radiais de duplo pistão na dianteira. Na traseira um disco de 276 mm e pinça de pistão simples dá conta do recado. Rodei todo o percurso “On Road” do teste com o ABS ligado e posso afirmar que ele funciona com maestria.

Uma linda vaca, bem gordinha, resolveu atravessar bem na minha frente e, no susto, alicatei o manete com toda a força. Para a minha alegria e para a alegria da Sael BMW, nenhuma das rodas travou e eu passei pela ruminante sem me encontrar com as pedrinhas do asfalto. Santo ABS!

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Passado o susto e com o ABS devidamente desligado, resolvi seguir para a parte “Off” do teste. Na areia fofa, típica do nosso litoral, a GS sofreu um pouco. Os pneus de série são mais voltados para o asfalto do que para a terra e o peso do conjunto faz a 1200 atolar com facilidade. Em uma configuração mais aventureira, com pneus adequados e calibragem mais baixa, não tenho dúvidas de que ela encara com tranquilidade trechos mais complicados.

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No estradão de terra que veio a seguir a GS mostrou-se mais a vontade. O guidão alto e largo possibilita uma boa posição de pilotagem em pé. Não há nem a necessidade de instalar alongadores de guidão para quem curte mais o fora de estrada. A altura de fábrica já é ideal.

Se eu fosse um dos felizes proprietários de uma R 1200 GS, instalaria com urgência os protetores de motor opcionais. A cada derrapada na terra, mais confiança eu sentia e mais próximos do chão ficavam os preciosos cabeçotes. Se você cair com ela eles são os primeiros a tocar o solo e o prejuízo não será pequeno.

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Conclusão

O que falar de uma moto que por anos a fio colecionou vitórias e mais vitórias nos comparativos enfrentando o que há de melhor no mundo quando o assunto é bigtrail? A BMW R 1200 GS é um ícone das duas rodas e me convenceu em todos os aspectos de que vale cada centavo do seu salgado preço. Se você quer uma moto para encarar longas jornadas com o máximo conforto, desempenho de sobra e confiabilidade, ela é a sua melhor escolha.

 

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