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Testamos a BMW F 800 GS, a moto dos sonhos de todo Ogro

Normalmente quem escreve nossos testes e comparativos é o Daniel Medeiros, mais conhecido como “cabecinha”. Porém, como a máquina da vez é a BMW F 800 GS, fiz questão de assumir os comandos do teclado.

Os amigos me chamam de Ogro, apelido que ganhei nas trilhas graças a minha falta de delicadeza em alguns momentos. Sempre tive uma quedinha pelo Off-Road e já possui várias motos todo terreno. Depois de sonhar bastante, finalmente consegui trocar minha valente XT 660R em uma BMW F 800 GS.

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Negociei a moto na concessionária Sael BMW Natal, aliás com uma condição de pagamento que não encontrei nas marcas concorrentes. Acostumado com o atendimento “normal” da concessionária Yamaha, fiquei até um tanto sem jeito com a atenção e os mimos que recebi na Sael. Realmente pude comprovar na prática que ser cliente de uma marca Premium tem suas vantagens, como por exemplo uma geladeira lotada de cerveja da melhor qualidade ao alcance das mãos enquanto eu aguardava a moto ficar pronta para a entrega (se for pilotar não beba).

O design da GS é marcante e preserva características inerentes ao modelo desde a primeira versão. Os faróis assimétricos e o para-lama elevado fixo são sua marca registrada. O falso tanque (o verdadeiro fica embaixo do banco) é largo e ajuda a compor a aparência robusta. O chassi de treliça tubular fica parcialmente exposto e é pintado na cor preta, compondo um conjunto harmonioso com o belo motor bicilíndrico.

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As suspensões são um show a parte com uma telescópica invertida na dianteira e uma balança de alumínio com monoamortecedor na traseira. A rabeta é linda, afilada com lanterna e piscas em Led. Completando o conjunto traseiro uma ponteira de escape em inox que mais parece uma obra de arte. O acabamento é de primeira, as peças plásticas são de ótima qualidade e os arremates são perfeitos.

Doido para experimentar as qualidades da nova máquina chamei meus amigos Dênis “Teretete” e Sidney “Boneco” para um passeio até a Praia da Pipa (Litoral Sul do RN). Marcamos a saída de um posto na Praia do Meio (praia urbana). Da minha casa até o posto enfrentei o tradicional trânsito entre as zonas sul e leste da capital. É fato que a F 800GS não é nem de longe a moto mais indicada para rodar no dia a dia de uma grande cidade, mas até que ela se saiu muito bem.

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O guidão alto passa com facilidade por cima dos retrovisores da maioria dos carros, a ressalva fica por conta das picapes. A maneabilidade dela me surpreendeu, apesar de ser uma moto larga e de ter um entre eixos de 1.585 mm, ela manobra com certa facilidade entre os carros. A altura de 89 cm do banco em relação ao solo assusta, a moto é mesmo alta, mas mesmo assim consigo apoiar os pés no chão com meus 1,75 cm e não tive problemas na hora de parar, precisei apenas ajustar a pré carga da mola traseira. O ponto negativo para o uso urbano fica por conta do calor do motor, que chega a incomodar um pouco.

Enfim cheguei ao ponto de partida e me encontrei com “Teretete” e “Boneco” e suas respectivas Ténéré 660Z e XT 660R. Motos abastecidas, partimos rumo a Pipa. Seguimos pela BR 101, pista nova e duplicada. Nessas condições a F 800 GS mostrou-se impecável, o motor é ótimo e empurra com vontade, sem buracos na aceleração e com bom torque em todas as faixas de rotação. A posição de pilotagem é relaxada, com guidão largo e alto e pedaleiras levemente recuadas. A pequena bolha protege bem do vento, desde que o piloto não tenha mais de 1,80 cm de altura. O banco até que é confortável apesar de estreito e da espuma pouco espessa.

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O bicilíndrico em linha, com duplo comando de válvulas no cabeçote, 8 válvulas, refrigerado a líquido e alimentado por injeção eletrônica é capaz de gerar 85 cv de potência máxima a 7.500 rpm e 8,1 kgf.m de torque máximo a 5.750 rpm. É um motor que vibra muito pouco, ideal para o uso rodoviário. Com tanta força fica fácil passar da velocidade máxima permitida da via (o que não recomendamos). É possível manter uma velocidade cruzeiro em torno de 140 km/h sem qualquer esforço e se for preciso pode-se passar um pouco dos 200 km/h na velocidade máxima.

As acelerações são contundentes (de 0 a 100km/h em pouco mais de 4 segundos) e as retomadas muito rápidas. Foi difícil para as Yamaha acompanharem o ritmo da BMW na estrada. Nas curvas a GS também não decepcionou, principalmente nas de alta. O conjunto é bastante equilibrado e as suspensões, apesar de macias, trabalham muito bem em parceria com os pneus Pirelli Scorpion, transmitindo segurança e estabilidade.

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O câmbio de 6 marchas é macio e muito preciso. Apenas no engate da 1ª marcha sentimos um “clunk” mais forte, nas demais suavidade total. Como ainda não estava muito acostumado com a relação de marchas, fiquei o tempo todo conferindo a marcha engatada no painel, que aliás é bem completo e conta com velocímetro e conta giros sobrepostos e um display digital no canto direito com várias informações.

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Com um ritmo forte na BR, rapidamente chegamos à estrada que dá acesso à Praia da Pipa. Nessa hora senti uma imensa alegria por estar em moto trail, a pista estava em péssimo estado, com muitos buracos e lombadas que mais pareciam paredes de açude. As ótimas suspensões de longo curso  (230mm na dianteira e 215mm na traseira) e as grandes rodas raiadas com aros de alumínio (21″ na dianteira e 17″ na traseira) fizeram a GS passar com facilidade por cima de todos os obstáculos.

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Finalmente em Pipa, fomos recompensados com um visual de tirar o fôlego. Após uma boa água de coco e algumas fotos resolvemos partir rumo à Barra do Cunhaú pelo Off-Road. Já nos primeiros metros quase levei um tombo para ficar na história, esqueci de desligar o ABS e o controle de tração da GS. Entrei com vontade na primeira curva pensando em travar o freio traseiro para corrigir a trajetória, como o ABS impediu o travamento terminei passando reto.

Depois de meia hora de zoada dos amigos, desliguei a eletrônica e continuei a trilha para ver até onde essa braba poderia chegar. A GS tem muito motor e suspensão, mas é uma moto pesada e com peças muito caras para eu ficar arriscando no Off. Ela encara uma trilha sem problemas mas com limitações, principalmente em relação aos pneus que são mais voltados para o uso On-Road. Se você pretende atravessar o deserto do Atacama com uma F 800 GS, sugiro que instale protetores de motor e carenagens e troque os pneus por um modelo mais aberto.

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Trilha vencida, faltava-nos derrotar a fome que já fazia roncar o bucho desse velho Ogro. Enrolamos o cabo em direção a um estabelecimento que havíamos visto na BR. O vazio era tão grande dentro de mim que puxei forte, numa pegada em que as Yamaha ficaram mais uma vez para trás. Chegamos ao restaurante sujos de terra dos pés a cabeça e mandamos ver no rango. Devidamente “abastecidos” retornamos a Natal em um ritmo bem mais tranquilo, apreciando a paisagem e curtindo o clima ameno do final de tarde.

Conclusão

A sigla “GS” significa em alemão Gelände Strabe, ou Todos os terrenos e Estrada em português, nada mais apropriado para uma moto que encara qualquer parada, qualquer tipo de estrada ou condição climática com maestria. A BMW F 800 GS é uma máquina bruta, robusta e proporciona muita emoção ao seu condutor. Como nada na vida tem apenas um lado bom, informo que na revisão de 1.000 km gastei R$ 500,00.

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