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Pronta para uma volta ao mundo. Testamos a Yamaha Ténéré 660Z

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Ténéré com  toda certeza é um daqueles nomes lendários quando o assunto é motocicleta. Dentre os três modelos vendidos pela Yamaha no Brasil, a 660Z é de longe a que carrega a maior “carga genética” de suas ancestrais, já que a Ténéré 600 foi a grande responsável pelo sucesso da linha durante as décadas de 1980 e 1990.

Após dois longos anos de espera, finalmente tivemos a chance de testar essa máquina icônica. Para uma avaliação completa montamos um circuito de testes composto por um pouco de trânsito, um pouco de estrada e um belo trecho do mais puro e seco off-road.

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Chegando na TT Pneus do nosso amigo Denis Ramalho, deparei-me com o olhar desafiador da sua bela Ténéré 660 Z branca. O design da Z é pra lá de impactante, uma mistura de “Optimus Prime” com as motos do Rally Dakar. A frente alta com o farol em destaque e as sanfonas das bengalas dianteiras à mostra deixam clara sua vocação para o fora de estrada. Além disso, o grande tanque de 23 litros em conjunto com o banco em dois níveis parecem nos convidar para longas jornadas. Na rabeta o destaque fica por conta das belas ponteiras quadradas e da lanterna em Leds. O acabamento é muito bom e podemos notar um cuidado especial nos encaixes das peças e arremates. O painel é outro ponto positivo da Z, com design adventure ele possui conta giros analógico e velocímetro digital.

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Ao guidão, a sensação de moto imparável é ainda maior, a Ténéré 660Z é a moto mais alta que já tive oportunidade de pilotar, são 896 mm do banco em relação ao solo. Pessoas com menos de 1,75 m de altura terão dificuldades em pilotá-la, pois além da altura elevada do banco as suspensões cedem muito pouco com o peso do piloto.

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Saindo da TT Pneus em Ponta Negra seguimos pela Via Costeira com destino ao litoral norte. Comecei a me empolgar já nos primeiros metros, o motorzão monocilíndrico empurra com vontade desde os regimes mais baixos de rotação. Trata-se de um monocilíndrico, 660 cm³, 4 válvulas, refrigerado por líquido e alimentado por injeção eletrônica, capaz de gerar 48 cv de potência máxima a 6.000 rpm e 5,95 kgf.m de torque máximo a 5.500 rpm. É uma beleza arrancar forte com a 660Z, assim como sua “irmã” XT, ela fica com a frente leve e levanta a roda dianteira ao menor descuido, simplesmente bruta!

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O vento forte da Via Costeira serviu para nos mostrar a eficiência da bolha para-brisa que desvia bem o vento por cima do capacete e torna a pilotagem mais agradável nestas condições. Nas curvas mais fechadas a Z não fez feio e mostrou bom nível de estabilidade e segurança apesar da altura do conjunto. Os pneus Metzeler Tourance 70on/30off proporcionam ótima aderência no asfalto e permitem até algumas estripulias. Os freios são excelentes. Com dois discos de 298 mm na dianteira e um disco de 245 mm na traseira, ambos assinados pela Brembo, fica fácil parar até mesmo com garupa e bagagem.

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Após um breve “desfile” pela Praia do Meio alcançamos a Ponte Newton Navarro, o último suspiro de liberdade antes do terrível trânsito da Zona Norte. Desde que olhei para a Z pela primeira vez, temi o momento de enfrentar o trânsito pesado, talvez por sua altura e porte, ou por seu guidão largo, o fato é que ela me surpreendeu mais uma vez e tirou de letra os corredores apertados da Avenida João Medeiros Filho. O único inconveniente foi o calor do motor queimando minhas pernas, o “big one” esquenta pra valer no anda e para da cidade. Ainda bem que o trajeto urbano foi curto e logo chegamos na BR-101.

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Na estrada a Ténéré sente-se em casa. O câmbio de 5 marchas é bem escalonado com uma relação longa que permite velocidades elevadas sem maiores esforços. É fácil ultrapassar com ela, o torque é abundante em todas as faixas de giro e até mesmo as retomadas em última marcha são rápidas. Algo que não agrada neste propulsor é uma característica de todo monocilíndrico de alta cilindrada, a excessiva vibração em altas velocidades. Acima de 130 km/h não demorou muito para as minhas pernas ficarem dormentes.

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Deixando a vibração do motor um pouco de lado, a Z é bastante confortável, as suspensões (telescópica de 210 mm na dianteira e monoamortecida de 200 mm na traseira) são macias na medida certa e não cansam o piloto mesmo em longos percursos. A posição de pilotagem é relaxada e o guidão largo me passou uma boa sensação de controle. O banco tem uma densidade adequada e é um pouco mais estreito junto ao tanque, o que facilita caso seja necessário pilotar em pé.

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Com um sorriso de orelha a orelha enfim chegamos às dunas de Pitangui. Um sol para cada um, toneladas de areia e o mar ao fundo nos convidavam para encarar a parte off-road do teste. Com os pneus originais e nenhuma preparação para um uso mais severo no fora de estrada, adentramos nas dunas com todo o cuidado que uma moto de R$ 32 mil merece. A força do motor ajuda, mas o peso a seco de 186 kg atrapalha na areia fofa. Andar com ela nesse tipo de terreno exige experiência e principalmente um bom preparo físico, se atolar tem que ter fôlego para retomar. A altura em relação ao solo (260 mm) é muito boa e a Ténéré passa fácil por troncos e pequenos obstáculos.

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Algumas atoladas e sustos depois, resolvemos descer para a praia. Na areia mais dura da beira-mar consegui extrair mais do potencial “off” da 660, sua força em baixa e a ótima ergonomia para pilotagem em pé fizeram deste trecho pura diversão. Nada melhor que a brisa do mar batendo no rosto e um belo por do sol para encerrar um teste com chave de ouro.

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Em resumo, a Ténéré saiu-se bem em todos os trechos do teste, com destaque para o uso rodoviário. Se você está a procura de uma moto robusta, confortável e pronta para qualquer aventura pode colocar a 660Z na sua lista.

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Opinião do proprietário

IMG_6627b“A Ténéré 660 Z é, na minha opinião, a maxi trail com o design mais agressivo e inovador da atualidade, remetendo às motos de rally, com um conjunto bem harmonioso na traseira e belas linhas nas laterais. O acabamento é muito bom, com peças bem encaixadas e de boa qualidade, com ressalva para as partes plásticas que riscam com facilidade. Outro ponto que merecia melhor atenção da Yamaha é com relação aos piscas que quebram facilmente.

No uso urbano não tenho do que reclamar, ela passa fácil entre os carros e o bom torque do motor evita o troca troca de marchas. Como eu só tinha possuído motos esportivas antes de comprar a Ténéré, pensava que sentiria falta de um pouco mais de potência no uso rodoviário, mas ela me surpreendeu e estou muito satisfeito com sua velocidade de cruzeiro.

Além disso ela tem ótima resposta nas acelerações e retomadas, o que facilita bastante as ultrapassagens. Apesar de ter um motor monocilíndrico ela apresenta um nível de vibração suportável. É uma moto muito confortável, com excelentes suspensões. A posição para o garupa é ótima, com belas alças integradas ao bagageiro.

No off-road, apesar do seu peso, tem uma boa posição de pilotagem e fácil manuseio nas situações mais criticas. Os pneus são muito bons e até agora tiveram ótimo desempenho em todos os pisos pelos quais passei, dunas, beira mar e estradão de cascalho. As suspensões tem uma boa resposta mesmo com os ajustes originais, mas se a intenção for partir para um uso mas off, uma boa regulada nelas se faz necessária. Acredito que com a Ténéré pode-se até correr um rally de velocidade, pois ela tem um cambio de relação longa e um ótimo comportamento no off Road.

De uma forma geral estou satisfeito com a moto, ela está suprindo todas as necessidades que me fizeram sair das esportivas e passar para uma trail. Uma moto apta para rodar na cidade ou para longas viagens, sozinho ou acompanhado, por estradas boas ou ruins. Com relação a manutenção ainda não tive despesas e quanto ao consumo está fazendo uma média de 17 km/l, algo que deve melhorar com o aumento da quilometragem.” (Por Denis Ramalho).

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