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On the road! Testamos a Honda Shadow 750

É fato que quando se pensa na compra de uma moto de alta cilindrada o quesito emoção muitas vezes fala mais alto que a razão. Entre os admiradores da categoria Custom não há quem não tenha sonhado com uma legítima Harley-Davidson embelezando sua garagem, afinal a marca americana é o maior ícone deste tipo de moto. Ocorre que por traz deste nome tão poderoso nem sempre houveram motocicletas acima da crítica, alguns pequenos defeitos como o “famoso” vazamento de óleo e a resistência da marca em adotar o sistema de refrigeração líquida deixavam muitos clientes insatisfeitos no passado.
Os fabricantes nipônicos, que de bestas não têm nada, logo perceberam nestes pequenos defeitos a oportunidade de abocanhar parte deste mercado  e começaram a fabricar suas próprias motos Custom, conciliando o design clássico das Harley com a mecânica afinada japonesa. Rapidamente, apesar de desagradar os entusiastas mais puristas, as motos Custom japonesas passaram a vender bastante, principalmente no mercado Europeu e Asiático, tendo como principais atrativos o preço, abaixo do cobrado pelos americanos, e a tecnologia embarcada. Para se ter uma ideia, no ano 2000 uma Harley 883 custava 13.500 dólares, cerca de 24.300 reais (convertendo com o dólar da época que girava em torno de R$ 1,80), enquanto uma Honda VT 600 Shadow custava 13.629 reais. Hoje a Harley-Davidson retomou o controle da sua revenda no Brasil e oferece preços bem mais competitivos e motos mais modernas, tornando-se líder de vendas em algumas faixas de cilindrada, fato que gerou incômodo na líder de mercado, a Honda.
Preocupada com o crescimento das concorrentes na categoria a marca da asa se mexeu e remodelou a Shadow 750 em 2011, abandonando o estilo “low and long” clássico da versão anterior, passando a ostentar um design mais leve e limpo voltado ao estilo “chopper” moderno. Esta mudança deu a Shadow novo fôlego no mercado, atraindo um público mais jovem que procura uma moto mais despojada e atraente.
A concessionária Honda Potiguar Norte nos cedeu gentilmente uma unidade da Shadow 750 2012 para que pudéssemos avaliá-la em um divertido test-ride. Veja a seguir como esta máquina se saiu.
Primeiras impressões.

Chegar à pista de testes e se deparar com a Honda Shadow 750, pronta para rodar, foi algo no mínimo empolgante. O sol refletia em suas curvas metálicas e lhe dava um brilho todo especial. Seu novo design mais “clean” e leve agrada bastante, com linhas fluidas e bem definidas, passa a impressão de que tudo está no seu devido lugar, sem transmitir a sensação de falta ou sobra de algo. É claro que existe o gosto pessoal de cada um, mas posso garantir que a Shadow foge das polêmicas e, com certeza, agradará à maioria.

Logo de cara percebemos a principal mudança em relação ao modelo 2010, a grande roda dianteira de 21″, que conferiu à frente da moto mais leveza e modernidade, aliada ao novo farol de menor diâmetro e ao novo para lama dianteiro menos envolvente.
Os cromados não poderiam faltar e ficaram muito bem harmonizados com o tom vinho da pintura da unidade testada. O tanque em forma de gota, o banco peça única em dois níveis, as tampas laterais e o novo para lama traseiro mais curto formam uma linha sinuosa e elegante que confere um ar mais moderno ao modelo.
O acabamento é de primeira, as bengalas da suspensão dianteira são em alumínio polido bem como os comandos e a mesa de direção. O painel continua sobre o tanque e traz informações básicas como velocímetro, hodômetro total, duplo trip, relógio e luzes espia de neutro, pressão do óleo, PGM-FI e H.I.S.S (Honda Ignition Security System). As luzes indicadoras de farol alto e reserva ficam sobre a mesa.
O motor V2 750 continua com as falsas aletas de refrigeração, componente meramente estético, já que o mesmo é refrigerado a líquido e o escape agora conta com duas ponteiras do lado direito. O pneu traseiro largo  e o eixo cardã completam o visual elegante e robusto.
Pilotando.
Ao montar na Shadow senti como se ela fosse minha a vários anos, a posição de pilotagem é muito confortável, o banco é largo e baixo, as pedaleiras retráteis e emborrachadas (substituiram as plataformas do modelo anterior) ficam posicionadas à frente e deixam as pernas do piloto numa posição relaxada, sem ser forçada como em alguns outros modelos custom. O guidão é elevado na medida certa e, agora mais estreito, deixa os braços numa posição mais natural.
Devidamente acomodado sobre a máquina, peguei a chave, olhei para a mesa de direção e não achei a ignição, fiquei meio perdido por alguns segundos até lembrar que o charme deste tipo de moto não permite certas comodidades. O contato da ignição fica do lado esquerdo entre o cilindro de trás do motor e a tampa lateral, quase embaixo do banco, é moderno e possui o sistema de chave codificada H.I.S.S.
Chave no contato, apertei o mágico botão da partida e… música para meus ouvidos, o grande V-Twin acordou com disposição e eu quase conseguia escutar os escapamentos falando: Acelera! Particularmente sou fã da sinfonia de um motor “four”, mas o ronco descompassado e abafado deste V2 é um tanto quanto encantador.
Primeira marcha engatada, não foi necessário nem acelerar para sair da inércia, apenas o soltar da embreagem faz a Shadow andar, tamanho o torque do motor. Trata-se de um Bicilindrico em V a 52°, OHC, 6 válvulas, 4 tempos, refrigerado a líquido, produz 45,5 cv de potência a 5.500 rpm e 6,5 kgf.m de torque a apenas 3.500 rpm. Seu funcionamento é suave e bastante linear e o grande torque disponível nas baixas rotações torna a pilotagem bastante agradável, pois evita a constante troca de marchas. O grande radiador controla com maestria a temperatura e não sentimos calor excessivo nas pernas. A vibração é aceitável para um V-Twin e graças ao guidão fixado sobre coxins de borracha é pouco transmitida para os braços do piloto.
Uma vez em movimento a Shadow surpreende e se mostrou bastante à vontade na pequena pista de testes. A grande roda dianteira de 21″ diminuiu um pouco a sua performance nas mudanças rápidas de direção, mas em compensação melhorou sua estabilidade nas retas e nas curvas de raio longo, além de absorver com mais facilidade os impactos com buracos e imperfeições do asfalto.
Nas retas você se sente pilotando um transatlântico, inabalável e incrivelmente estável ela segue engolindo quilômetros e quilômetros sem sustos. As suspensões – Telescópica convencional na dianteira com 140mm de curso e braço oscilante duplo-amortecido na traseira com 90mm e 5 opções de regulagem de tensão da mola – são firmes e bem ajustadas para as estradas brasileiras, absorvem bem as irregularidades da pista e os pequenos buracos. Nas curvas a Shadow demonstra boa estabilidade e uma certa lentidão nas mudanças de trajetória, nada grave para uma moto com 1,65m de entre eixos e 229kg de peso. O chassi do tipo berço duplo torce pouco e transmite segurança. Por ser muito baixa, característica da categoria, demorei a me acostumar com a capacidade de inclinação da Shadow, toda vez que entrava em uma curva sentia que as pedaleiras iriam raspar no asfalto, quando na verdade ainda estavam longe disto. Os pneus tem ótima aderência e permitem até certos “abusos”.

Seus freios precisam de um capítulo à parte, sinceramente fiquei impressionado com a capacidade de frenagem que esta moto tem. A versão testada não dispunha do eficiente sistema C-ABS, mesmo assim não decepcionou e parou sem problemas quando exigida. Na dianteira há um disco hidráulico de 296mm mordido por uma pinça de dois pistões e na traseira um tambor com 180mm.

Quanto ao câmbio, possui 5 marchas bem escalonadas e segue o padrão da marca com engates suaves e precisos. A transmissão final é feita através de um robusto e silencioso eixo cardã. Este tipo de transmissão é ideal para motos “estradeiras” pois é muito resistente e não necessita de manutenção constante.
O tanque tem capacidade para 14,6 litros (3,3l de reserva) e com o consumo médio declarado pela fábrica de 25,29 km/l permitiria uma autonomia de 369,23 km.
Conclusão.
A VT 750 Shadow é uma moto equilibrada, com desempenho satisfatório e equipamentos à altura da proposta, sua condução é agradável e a confortável posição de pilotagem permite ao piloto rodar por horas sem se cansar. Seu estilo e design são condizentes com a categoria e agradam à maioria dos críticos. Considerando a força da marca Honda, a grande rede de concessionárias, a confiabilidade mecânica e baixa desvalorização na hora da revenda, vejo a Shadow como uma das melhores opções de moto custom de média cilindrada no mercado brasileiro.
Texto: João Daniel
Fotos: Rodolfo Medeiros
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