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Honda Bros ou Yamaha Crosser, qual a melhor?

Sem dúvidas a categoria das pequenas on/off ganha mais e mais importância a cada ano no segmento duas rodas no Brasil. O gradativo aumento da estatura média do brasileiro aliado às nossas estradas esburacadas têm feito com que as tradicionais “CGs” percam espaço para motos mais confortáveis e resistentes.

Com uma década de total liderança na categoria, a Honda Bros parece finalmente ter encontrado uma rival à altura, a Yamaha Crosser. A nova 150 da Yamaha chegou causando furor e colocando dúvida na cabeças de muitos pretensos compradores da Bros.

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Para tirar todas as dúvidas e ajudar ao nosso leitor a decidir qual das duas comprar, resolvemos colocá-las à prova em um teste comparativo completo.

No primeiro contato com as duas motos lado a lado, o design da Crosser roubou a cena. Apesar de um tanto polêmico (uns amam, outros odeiam), há que se admitir que a pequena Yamaha possui uma aparência mais moderna que a Honda Bros. O tanque curto e largo com falsas entradas de ar nas laterais, em conjunto com a pequena bolha e o para-lama baixo rente ao pneu formam um conjunto frontal harmoniozo e atual, numa proposta mais voltada para o estilo crossover do que propriamente o trail. Na traseira a Yamaha optou por adotar a receita de sucesso da Bros, com bagageiro em alumínio integrado à lanterna.

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A Bros mantém um estilo mais Off-Road, com para-lama alto e silhueta estreita. Seu design recebeu uma atualização em 2012 com novos plásticos, farol, piscas e lanterna traseira. O visual da pequena Honda agrada a maioria e não deixa espaço para muitas críticas, no entanto, frente à Crosser parece um pouco sem graça.

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O acabamento de ambas é digno de elogios, com materiais de qualidade e bons arremates nos encaixes das peças plásticas. Os comandos da Crosser são mais atuais, já que a Bros ainda não dispõe dos novos botões usados na linha CG 2014. As tampas dos tanques de combustível das duas motos são um tanto ultrapassadas.

Em relação ao conforto, tanto Honda quanto Yamaha apostaram numa mesma receita, com bancos em dois níveis e pedaleiras e guidões posicionados de forma a deixar o piloto numa posição de relaxada. A Bros tem tanque e banco mais estreitos, permitindo uma maior mobilidade sobre a moto, porém perde um pouco em conforto para a Crosser que tem banco mais largo e macio.

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Dada a “largada”, partimos para o teste de rodagem em revezamento para que pudéssemos sentir com precisão as diferenças entre as duas. Apesar de ter menos potência e torque, a Crosser se mostrou um pouco mais esperta nas acelerações, subindo de giro um pouco mais rápido que a Bros. Confesso que fiquei surpreso com isso, pois esperava o contrário, já que a Crosser utiliza a mesma relação final da Fazer 150, com coroa pequena, enquanto a Bros tem relação final mais reduzida, com coroa maior. Uma explicação para esse comportamento mais arisco da Crosser está no escalonamento mais curto das quatro primeiras marchas, deixando apenas a quinta mais longa para não prejudicar a velocidade final.

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A Bros tem mais força, algo bem vindo no uso Off, mais demora um pouquinho mais para atingir o limite da troca de marcha. Em compensação o motor da Honda tem funcionamento mais suave e vibra menos. O câmbio é outro ponto positivo da Bros, com engates suvaes e precisos, bem diferente do da Crossser que carrega consigo os tradicionais “clunks” dos câmbios Yamaha.

Na hora de fazer curvas o equilíbrio entre as duas é grande, porém a Crosser tem suspensões um pouco mais duras, o que não é muito bom para enfrentar a buraqueira, mas que permitem maiores abusos na hora da inclinação e mais agilidade nas mudanças de trajetória. Os pneus de ambas são execelentes e transmitem batante segurança para o condutor, tanto no asfalto quanto no fara de estrada.

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Por falar em fora de estrada, é importante lembrar que nem a Bros nem a Crosser são motos apropriadas para trilhas pesadas. Os motores pouco potentes e as rodas dianteiras de 19″ tornam-as limitadas em uso mais severo. No entanto em trilhas leves e estradões de terra batida elas se saem muito bem. O para-lama elevado, os penus MT-60 (os Metzeler Tourance da Crosser são mais voltados para o asfalto) e a forma mais esguia dão vantagem para a Bros neste aspecto.

A Bros também é superior na hora de parar. As duas motos utilizam a mesma configuração de freios, com disco simples e pinça de dois pistões na dianteira e tambor na traseira, porém o sistema da Honda mostrou-se mais preciso e seguro, parando a Bros com facilidade quando exigido. Os freios da Crosser são um tanto borrachudos, lembrando o famigerado freio traseiro da Lander 250. O mais preocupante é que quanto mais aquece pior fica. Talvez seja o caso de uma substituição do flexível por um com malha de aço, assim como fizeram na Ténéré 250.

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O sistema Flex de ambas mostrou-se muito bem calibrado e não notamos diferença de desempenho quando abastecidas com Etanol. A tecnologia utilizada na ECM da Yamaha é um pouco menos avançada que a da Honda e necessita que a marcha lenta seja regulada durante as revisões periódicas.

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O painel da Bros até que é bem completo e de fácil leitura, com velocímetro analógico, trip e marcador de combustível, mas quando comparado com o da Crosser parece ter sido feito na idade da pedra. Com display digital que marca velocidade, nível do combustível, marcha engatada, hodômetro total, trip e contagiros analógico, o painel da Crosser é um show à parte, digno de motos maiores.

Bros vs Crosser

Conclusão

A Bros é uma moto equilibrada, com desempenho satisfatório e grande índice de satisfação dos seus proprietários. Anos de aprimoramento tornaram-na uma moto com pouquíssimas falhas. Mesmo nadando de braçada nas vendas da sua categoria, a pequena trail da Honda já começa a sentir o peso da idade, principalmente com a chegada da Yamaha Crosser. Se fossemos levar apenas moto versus moto, diria que a Crosser está um degrau acima da Bros na média geral. No entanto, se colocarmos na balança o pós-venda, a Bros ainda é a melhor opção.

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Agradecimentos a Potiguar Honda por ceder a Bros, ao amigo Edson Seggo por ceder a Crosser e a Helder Car Maindra por ceder o carro de apoio.

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