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Che bella macchina! Testamos a Ducati Panigale 1199

Para quem é um apaixonado por motos como eu, pouco importa o modelo, a cilindrada ou a marca, se tem moto para testar estou dentro! Claro que existem determinadas máquinas que povoam os nossos sonhos e que geram a dúvida sobre quando e se teremos oportunidade de experimenta-las. Quando Diogo Ogro me ligou dizendo que tínhamos uma Ducati Panigale 1199 disponível para teste quase tive um infarto.

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Exageros à parte, a marca italiana famosa por suas esportivas puro sangue, conquistou a minha admiração desde os seguidos títulos do mundial de Superbike nos anos 90 com sua 996 sob os comandos de Carl Fogarty. Naquela época, chegar ao menos perto de uma Ducati era algo que eu não tinha a menor expectativa, muito menos pilotar uma. Eis que o tempo passou, a economia melhorou e finalmente marcas que outrora eram tão inacessíveis passaram a desembarcar pro aqui, nos proporcionando opções de modelos consagrados mundialmente e com nível de performance  e acabamento acima do que estávamos acostumados até então.

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A concessionária Ducati Natal nos deu carta branca para testar todos os pontos da Panigale 1199, rodando pelas ruas e estradas de Natal. Cara a cara com a fera, tive certeza de que nunca havia estado tão próximo da perfeição sobre duas rodas quanto naquele momento. O design é irretocável, com linhas suaves nas laterais e agressivas nas extremidades. Os faróis de Leds paralelos marcam a personalidade forte da 1199, e o pequeno “bico” entre eles, lembra os traços de um Fórmula 1. Na rabeta minimalista, os Leds também estão presentes nas lanternas e o belo suporte de placa trata de não esconder muito o largo pneu traseiro.

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É uma moto compacta e esguia, graças a configuração em “L” do motor. Para quem não olhar com atenção ela passa fácil por uma 600cc. O tanque é estreito e o banco bem fininho, totalmente Racing. A carenagem é bastante envolvente  e praticamente não se vê o chassi de alumínio do tipo monocoque que usa o motor como parte da estrutura. O belo tom vermelho da pintura e as tampas do motor em magnésio carregam a assinatura da marca. As ponteiras de escape ficam centralizadas em baixo do conjunto, com saídas laterais próximas à roda traseira.

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A posição de pilotagem é extremamente radical, com pedaleiras altas e recuadas, semiguidões baixos e rabeta apontada para o céu. Essa posição deixa ainda mais clara a vocação para pista da Panigale. Suas dimensões compactas me fizeram sentir como se estivesse sobre a roda dianteira, passando segurança nas entradas de curva.

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O tão aguardado momento de ligar o poderoso motor finalmente chegou e o grande “L2″ não me decepcionou nem um pouco. Algo como uma sinfonia sai pelas ponteiras e chega aos ouvidos convidando a acelerar como se não houvesse amanhã. Na minha frente o incrível painel digital multicolorido, que mais parece um tablet de última geração, apresentava todas as opções de regulagens eletrônicas disponíveis. Sim, a Panigale tem muita tecnologia embarcada e quase tudo nela pode ser regulado com um simples toque de botão.

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Um sistema de mapeamento do motor permite escolher entre três modos de pilotagem: Race, Sport e Wet. No modo Wet (para pilotagem na chuva ou em condições de piso pouco aderente) a potência máxima fica limitada a 120 cv e a entrega de torque é mais progressiva. No modo Sport, os 195 cv estão todos disponíveis, mas o torque continua sendo dosado. Escolhi o modo Race para começar o teste, estava doido para ver o quanto ela andava de verdade. Nesse modo o acelerador fly by-wire (sem cabo) libera toda a força da 1199 e pode acreditar, é muita força.

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Além disso ainda é possível regular o ABS, o controle de tração (DTC) e o EBC (Eletronic Braking Control) que permite variar a potência e intensidade da “mordida” das incríveis pinças de freio Brembo Monobloco M50. Não mexi em mais nada além do mapeamento do motor, deixei tudo como estava para não me atrapalhar, afinal era muita informação e o sol estava fritando meu juízo.

Após o curso rápido de engenharia da computação, engatei a primeira marcha e parti para a Rota do Sol. A aspereza do câmbio me chamou a atenção, afinal ela conta com embreagem hidráulica, mas não chegou a incomodar, pois logo as qualidades dela me fizeram esquecer este pequeno detalhe.

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A Panigale 1199 possui uma excelente relação peso/potência. Com apenas 164 kg declarados para o peso a seco e 195 cv de potência máxima a 10 750 rpm, ela tem 1 cv para cada 841 gramas de peso e 1 kgf.m de torque máximo para cada 12 kg de peso. Na prática pude comprovar que seu desempenho é insano. As acelerações são brutais e o ganho de velocidade é vertiginoso, as empinadas são abortadas pelo controle de tração, mas mesmo assim eu senti como se ela quisesse virar ao contrário a cada troca de marcha.

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Definitivamente não temos pistas adequadas em Natal para levar um bólido desses ao limite com segurança, mas posso garantir que passar dos 250 km/h com ela é tão fácil quanto passar dos 50 km/h numa 125cc. A carenagem e a bolha são suficientes para proteger bem do vento, mas para pilotos mais altos como eu uma bolha mais elevada cairia bem.

Nas curvas o que eu poderia criticar? Uma ciclística perfeita, com suspensão dianteira invertida Marzocchi de 50 mm de diâmetro e multi regulagens e suspensão traseira monobraço com monoamortecedor Sachs também regulável, faz a 1199 deitar com uma inigualável rapidez e segurança.

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É uma moto dura, como toda esportiva, adequada para pistas bem pavimentadas e curvas de alta velocidade. As lindas rodas forjadas de alumínio da grife Marchesini são calçadas com os ótimos pneus Pirelli Diablo Supercorsa SP que têm composto bastante macio e aderente, propício para segurar o ímpeto da maquina vermelha. Aliás o pneu traseiro é um pouco mais largo que os tradicionalmente usados nas superbikes, possui 200mm.

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O amortecedor de direção é outro ponto a ser destacado. A sua atuação é suave e segura, mantendo a frente bem controlada mesmo nas velocidades mais altas e nas mudanças de trajetória mais bruscas. Os freios estão à altura de todo o resto, com duplo disco flutuante e pinça radial monobloco na dianteira e disco simples na traseira com ABS de competição. Parar não é problema.

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Como se pode perceber, para o desempenho esportivo não tive críticas, talvez apenas um piloto profissional possa encontrar falhas em numa moto de tão alto nível. Já para o uso urbano eu não recomendaria a compra da Panigale, a menos que você queira apenas dar uma voltinha para aparecer um pouco de vez em quando. Ela é dura, desconfortável e esquenta muito no trânsito intenso, fazendo a experiência tornar-se um martírio sob o sol escaldante da capital Potiguar.

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Para estrada, tiros curtos de 100km serão sempre uma delícia. Caso você queria fazer viagens mais longas com a 1199, programe paradas a cada uma hora para esticar as pernas e colocar a coluna no lugar.

Enfim, a Ducati Panigale 1199 é uma moto espetacular, que deixa pescoços torcidos por onde passa e que atrai a admiração de todos. Com a aura de exclusividade que as motos europeias ainda carregam e com desempenho irretocável, ela com certeza está no topo da minha lista de aquisições para quando ganhar na loteria.

 

Por Daniel Medeiros

Agradecimentos: Ducati Natal

 

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